O Brasil e suas medalhas


Dias antes de embarcar rumo a Londres para acompanhar os tão esperados  Jogos Olímpicos, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, teceu opiniões sobre o então futuro desempenho do Brasil no evento, as quais acabam nos fazendo refletir sobre uma série de questões relacionadas à presença do esporte e a importância dele em nosso país.

Segundo declarações do ministro, espalhadas por portais como o da Folha de São Paulo, Globo Esporte e Terra, os investimentos para os jogos de Londres teriam sido maiores do que os feitos nas Olimpíadas de Pequim, e, por isso, o Brasil poderia sonhar com um número de medalhas maior, chegando a 20.

Além disso, o ministro falou sobre o Plano Medalha, fazendo referência às Olimpíadas que serão sediadas no Brasil em 2016: "Há um planejamento milimétrico detalhado, chamado Plano Medalha, modalidade por modalidade, para que o Brasil tenha em 2016 um desempenho compatível com o seu status de país-sede da Olimpíada".

O desempenho brasileiro nos jogos também será pauta de uma audiência pública marcada pra essa quarta-feira (8/8), proposta por integrantes da Frente Parlamentar da Atividade Física para o Desenvolvimento Humano. Na audiência, serão discutidos, além do desempenho dos atletas, a lógica por trás da classificação do quadro de medalhas.

Como se pode perceber, o número de medalhas conquistadas (ou não) pelo Brasil, tanto nos atuais jogos quanto no que acontecerá daqui a quatro anos, parecem ser uma das grandes preocupações das autoridades. O fato do Brasil ganhar seu lugar ao sol enquanto "potência olímpica" no quadro de classificação tem ganhado tanta atenção que fatores básicos ligados ao futuro do esporte em nosso país acabam ficando em segundo plano.

Qual a atenção dada às bases do esporte no país? Quais as políticas de incentivo à sua prática aplicada pelos governantes? Quais os programas ligados ao esporte presentes nas escolas públicas?

A inspiração dos governantes diante das conquistas das grandes "potências olímpicas", como China e Estados Unidos, não deveria ser no trabalho desenvolvido por esses países desde a base, e todo o investimento feito no futuro dos atletas, aliando esporte à educação?

As dificuldades enfrentadas por atletas brasileiros, desde as condições de treinamento até questões ligadas a patrocínios, nem se comparam à realidade dos países do primeiro mundo, então como cobrar desses mesmos atletas um resultado tão bom quanto os das grandes potências?

Investimentos em curto prazo no esporte brasileiro já têm se tornado característicos. A preocupação em mostrar ao mundo que o país-sede das Olimpíadas de 2016 conseguiu um número de medalhas X em Londres tem superado a de fortalecer as bases do esporte no país.

Já está na hora de parar de querer agradar aos olhos gringos com números e medalhas penduradas no pescoço, e enxergar o verdadeiro valor do esporte para o povo brasileiro. Investir menos em status, e mais em pessoas.

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Por Jessica Vicentini

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